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Escolar

O começo de vida...

 

O começo do meu percurso escolar começou naquele mês de Setembro ainda quente com o Verão a despedir-se. Decorria o ano de 1973, um pouco antes do 25 de Abril de 74.

A escola era um universo completamente desconhecido. Eu com 7 anos, sempre vivi no campo, perto de Loulé. Nunca frequentei a pré-escola ou um jardim-de-infância.

Naquele tempo a inocência era a imagem mais comum para quem ia iniciar uma caminhada pelo mundo das letras, dos números e da nova convivência com rapazes e raparigas que não conhecia, mas que junto, ia-mos palmilhar um novo conhecimento.

Lembro-me da minha primeira professora, e de muitas outras que tive no primeiro ano, talvez por isso repeti a primeira classe.

Lembro-me dum professor que dava aulas na sala do primeiro andar, e que tinha fama de dar muitas reguadas. Eu também levei algumas, dos meus professores.

Aprendi mesmo assim as letras a ler e a escrever, os números a tabuada e as contas, o aperfeiçoar da escrita e da leitura. O respeito pelo professor era regra de ouro, o pôr o dedo no ar e esperar timidamente pela minha vez.

Há três décadas atrás não havia computadores. O Conhecimento prestado ao aluno era essencialmente o que vinha nos manuais escolares

Eu, filho de pessoas humildes e de fracos recursos, tinha o meu tempo de escola com os dias contados. Só com grande teimosia da minha mãe consegui completar o 6º ano de escolaridade.

A entrada no 2º Ciclo ou Ciclo Preparatório como era chamado na altura, ocorreu por volta de 1979. Tinha 13 anos e outra postura mais aberta à realidade desse tempo. Era uma escola provisória feita de pavilhões individuais pré fabricados, frios e nada afáveis.

Aqui no ciclo, cada disciplina era dada por um professor diferente. Eu destacava-me nos Trabalhos Manuais com o professor Inácio. Talvez daí venha a minha preferência por mais tarde enveredar pela profissão de carpinteiro.

Gostava também de Educação Plástica e Ciências da Natureza, hoje o equivalente de Estudo do Meio. Ai desenvolvi a minha aptidão pelo desenho e pelos trabalhos feitos em grupo.

No 5º Ano a minha língua estrangeira escolhida, foi o Francês. Em dois anos aprendi alguma coisa. Era melhor a ler do que a construir a gramática. Era tudo muito novo para mim. Nas aulas de matemática consolidei as equações, era uma disciplina que mais ou menos até gostava. Aqui ainda de uma forma inocente aprendi o que mais tarde me auxiliou para desenvolver as equações feitas de lápis e fita métrica na carpintaria onde iniciei a minha atividade laboral.

A minha saída da escola já estava programada pelo meu pai há mais de dois anos, era inevitável. No pensamento dele, sendo eu um rapaz, tinha de ir trabalhar e seguir o percurso dele lá na empresa onde trabalhava, só me deu a escolher: servente de pedreiro ou ajudante de carpinteiro. Eu escolhi a área da carpintaria. Na escola, nos trabalhos manuais até achava interessante. Aquele lugar estava guardado para mim. Com muita pena deixei de estudar. Bem poderia ter seguido outro caminho, mas a vida é madrasta ou quem sabe sábia. Se foi essa a vontade de Deus, então aceito de bom grado. Hoje agradeço todas as oportunidades que tive. Sei dar valor às mais pequenas conquistas por insignificantes que pareçam à primeira vista. Tudo o que é conquistado com o nosso suor, lágrimas deceções e perdas emocionais ou materiais têm o dobro do valor daquilo que cai do Ceu sem esforço nem empenho.

Passados 27 anos, voltei a ter a vontade firme de estudar e valorizar-me pessoalmente e profissionalmente. Por tudo aquilo que escrevi atrás, inscrevi-me no Centro das Novas Oportunidades, para ter a minha segunda oportunidade.